- Define-se estratótipo como uma sucessão de camadas rochosas com limites bem identificados, que servem de referência e são usadas na caracterização de unidades estratigráficas padronizáveis (andares, limites estratigráficos, etc). Uma sucessão estratigráfica é elevada à condição de estratótipo por comités autorizados de correlação geológica.
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fig. 2.1 - Mapa geológico da região de Peniche. |
Peniche oferece uma paisagem onde sobressai uma orla costeira, entrecortada por extensos areais, destacando-se falésias como a Ponta do Torvão (fig. 2.1), que foi considerada recentemente geo-monumento pela comunidade cientifica internacional porque possui o melhor registo a nível mundial da transição entre os intervalos de tempo Pliensbaquiano - Toarciano, andares do Jurássico. Está estabelecido no estratótipo (GSSP - Global Boundary Stratotype Section and Point). A melhor secção está localizada na Ponta do Trovão, Península de Peniche, 80 km a Norte de Lisboa.
fig. 2.2 - Ponta do Trovão, Peniche |
Em Portugal, a transição Pliensbaquiano - Toarciano é bem exposta pois mostra amonites Tethyan associadas a algumas espécies Europeias. Estes conjuntos são bons marcadores para correlações em todo o mundo. As camadas de transição muitas vezes indicam sedimentação continua ao contrário do que acontece no Noroeste da Europa. É descrita a sucessão litostratigráfica e apresentada a cronostratigrafia com base nas diferentes associações de amonites. A mudança nas associações de foraminíferos é feita mais tarde.
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fig 2.3 - Tabela Cronostratigráfica, andares do Jurássico |
A equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra concluiu que o local tem o melhor registo geológico do mundo, uma sucessão de estratos de rochas sedimentares carbonatadas, para o intervalo de tempo do período Jurássico Inferior, há 183 milhões de anos. Estão relacionadas com uma fase marinha anterior à génese do Oceano Atlântico.
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fig. 2.4 - Vista da Ponta do Torrão com as divisões das duas secções principais. |
Nesta área a parte superior do Pliensbaquiano é composta por alternâncias de margas e calcário e foi descrita uma unidade especial chamada "Transition Beds", indicando uma baixa taxa de sedimentação. Apresentam material fóssil continuo e diversificado, como conchas ou moldes de amonites.
A última camada marca o inicio do Toarciano, em que o limite cronostratigráfico difere do litológico sendo este último situado entre a "Transition Beds" e a base do Cabo Carvoeiro. O limite bioestratigráfico está localizado dentro da sucessão, mostrando uma evolução sedimentar progressiva, sem interrupção.
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fig. 2.5 - Secção geológica do limite Pliensbaquiano - Toarciano, na Ponta do Torvão (1996). |
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fig. 2.6 - Fósseis da região de Peniche, Ponta do Trovão. |
Referências Bibliográficas:
- Público (2006), "Peniche: Ponta do Trovão tem valor geológico mundial", 17 Novembro. Página consultada a 19 de Dezembro de 2011. <http://www.publico.pt/Local/peniche-ponta-do-trovao-tem-valor-geologico-mundial-1276957>
- Município de Peniche, "Peniche, um outro mar para descobrir...". Página consultada a 20 de Dezembro de 2011. < http://www.cm-peniche.pt/CustomPages/ShowPage.aspx?pageid=c13017b2-7620-4e0c-903e-4be86435657f&m=a179>
- Ciências da Terra (UNL) (2007), "Toarcian GSSP candidate: The Peniche section at Ponta do Trovão". Página consultada a 20 de Dezembro de 2011. <http://www.cienciasdaterra.com/index.php/vol/article/viewFile/262/270>
- Serge ELMI, "Pliensbachian/Toarcian boundary: the proposed GSSP of Peniche (Portugal)". Página consultada a 20 Dezembro de 2011. <http://voluminajurassica.org/pdf/volumen_IV_5-16.pdf>
- Geistória – Estratótipos. João Brissos, (2008). (Consultado no dia 21 de Dezembro 2011) Retirado de : http://geostoriaestpal.blogspot.com/2008/10/estrattipos.html
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